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sábado, novembro 17, 2007

Orgias

- Alô?

- Alô cara, beleza?!?

- Ôpa, tava esperando tua ligação. Tudo certo pro bacanal?

- Tudo sobre controle. Acabei de passar o último treino com o pessoal todo reunido.

- Faltou alguém?

- Um casal de anões, três odaliscas núbias e o dromedário.

- Pô, logo o dromedário?

- Pois é, só tinha camelo disponível.

- Mas aquele camelo brocha do ano passado foi uma tragédia.

- Eu lembro, não teve catuaba, pílula azul, chute no saco ou zebra virgem que desse jeito no desgraçado.

- Mas zebra virgem também, fala sério...

- Tu esperavas o quê? Que eu arranjasse uma camela virgem às duas da manhã?!?

- Tudo bem que nós tentamos. Ainda bem que tinha aquele teu primo tarado que arranjou a zebra virgem. Ele vem este ano de novo?

- Tá maluco? Esqueceu que tivemos que acorrentar aquele doido no estábulo?

- É verdade. Quando chegamos lá ele já tinha violentado duas ovelhas, faturado a égua e estava encarcando no pobre do jumento.

- É mesmo, nem o jerico escapou.

- E o tarado ainda papou a zebra virgem no dia seguinte.

- É, já que o camelo não quis...

- E o trabalho que deu para devolver para o circo, tu lembras?

- O veterinário sem saber se a zebra estava grávida e que bicho ia nascer dali. Ia ser teu sobrinho...

- Pô, nem brinca com estas coisas.

- E a segurança?

- Confirmado, forças especiais do lado de fora, e 98 eunucos na área interna.

- Mas não eram 100?

- Dois não passaram no teste, sentiram cócegas.

- E qual maluco você arranjou para fazer o teste com os eunucos?

- Lembra daquela bicha desvairada que era meu vizinho?

- O que foi fantasiado de ambulância no revéillon na tua casa?

- O próprio, com aquela lanterna piscando na testa, imitando sirene, e a roupa branca e vermelha aberta atrás.

- E ele correndo pela casa com a sirene e a lanterna, enchendo o saco de todo mundo que estivesse fantasiado de médico ou doente, e mandando entrar na ambulância pela porta dos fundos.

- Até teu cunhado que estava de Frankstein ele pertubou.

- Pois é, nem o Frank escapou.

- E o quê que você ofereceu para ele aceitar o trampo?

- Uma grana e disse que ele podia ficar com cada pinto que ele achasse no teste.

- Então ele se deu mal. O que diabos ele vai fazer com dois meio-eunucos?

- Sei lá, mas ele também ficou desconsolado e pediu uma caixa de pilhas para o vibrador e um balde de graxa.

- Pô, balde de graxa é demais.

- E você queria que eu fizesse o quê, que eu fosse no lugar dos eunucos? Tá maluco?

- Você tem razão. Te vejo à noite. Viva as odaliscas núbias!

- Abraços. Viva as núbias!

PS: inspirado no Veríssimo.

terça-feira, maio 08, 2007

Orgias

- Alô?

- Alô cara, beleza?!?

- Ôpa, tava esperando tua ligação. Tudo certo pro bacanal?

- Tudo sobre controle. Acabei de passar o último treino com o pessoal todo reunido.

- Faltou alguém?

- Um casal de anões, três odaliscas núbias e o dromedário.

- Pô, logo o dromedário?

- Pois é, só tinha camelo disponível.

- Mas aquele camelo brocha do ano passado foi uma tragédia.

- Eu lembro, não teve catuaba, pílula azul, chute no saco ou zebra virgem que desse jeito no desgraçado.

- Mas zebra virgem também, fala sério...

- Tu esperavas o quê? Que eu arranjasse uma camela virgem às duas da manhã?!?

- Tudo bem que nós tentamos. Ainda bem que tinha aquele teu primo tarado que arranjou a zebra virgem. Ele vem este ano de novo?

- Tá maluco? Esqueceu que tivemos que acorrentar aquele doido no estábulo?

- É verdade. Quando chegamos lá ele já tinha violentado duas ovelhas, faturado a égua e estava encarcando no pobre do jumento.

- É mesmo, nem o jerico escapou.

- E o tarado ainda papou a zebra virgem no dia seguinte.

- É, já que o camelo não quis...

- E o trabalho que deu para devolver para o circo, tu lembras?

- O veterinário sem saber se a zebra estava grávida e que bicho ia nascer dali. Ia ser teu sobrinho...

- Pô, nem brinca com estas coisas.

- E a segurança?

- Confirmado, forças especiais do lado de fora, e 98 eunucos na área interna.

- Mas não eram 100?

- Dois não passaram no teste, sentiram cócegas.

- E qual maluco você arranjou para fazer o teste com os eunucos?

- Lembra daquela bicha desvairada que era meu vizinho?

- O que foi fantasiado de ambulância no revéillon na tua casa?

- O próprio, com aquela lanterna piscando na testa, imitando sirene, e a roupa branca e vermelha aberta atrás.

- E ele correndo pela casa com a sirene e a lanterna, enchendo o saco de todo mundo que estivesse fantasiado de médico ou doente, e mandando entrar na ambulância pela porta dos fundos.

- Até teu cunhado que estava de Frankstein ele pertubou.

- Pois é, nem o Frank escapou.

- E o quê que você ofereceu para ele aceitar o trampo?

- Uma grana e disse que ele podia ficar com cada pinto que ele achasse no teste.

- Então ele se deu mal. O que diabos ele vai fazer com dois meio-eunucos?

- Sei lá, mas ele também ficou desconsolado e pediu uma caixa de pilhas para o vibrador e um balde de graxa.

- Pô, balde de graxa é demais.

- E você queria que eu fizesse o quê, que eu fosse no lugar dos eunucos? Tá maluco?

- Você tem razão. Deixa pra lá. E as diversões, alguma novidade?

- Tem algumas, mas eu estou apostando naquela inspirado nos quadrinhos.

- Vai ser um sucesso. Vai ter gente fazendo fila para pegar um anão besuntado,...

- E mergulhar no caldeirão de fondue!

- Só quero ver depois do fondue...

- Ou pior, se o anão cair dentro do pote.

- Como anão sofre.

- Pois é. Te vejo à noite. Viva as odaliscas núbias!

- Abraços. Viva as núbias!

PS: inspirado no Veríssimo.


terça-feira, abril 24, 2007

Rota de fuga


Começamos a namorar na escola. Ambos com nossas espinhas e ilusões de adolescente. Alguns dias depois do primeiro beijo ela faz o ultimato:


- Meus pais querem conhecer você.

Já o sabia inevitável, mas tinha que acontecer logo ali na primeira semana?, pensei.

Combinamos para uns dias depois, tinha que me preparar.

- Ok, na sexta, antes de irmos para o cinema passo na tua casa. Visita rápida, por favor. Supliquei.

Cheguei lá, suando um pouco. Apertei a campainha, mão trêmula. A mãe abriu a porta. Entrei com passos tímidos.

- Ela está no quarto e já vem. Você quer tomar algo?
- Água gelada por favor.
- Um minutinho, fique à vontade.
- Onde é o banheiro? Preciso lavar as mãos.
- Se for só para lavar as mãos pode usar o lavabo ali no corredor.

Na verdade, o nervosismo estava causando alguns efeitos colaterais indesejados, dor-de-barriga, aguda. Obviamente não expus os reais motivos para a busca do banheiro e toquei para o lavabo.

Fecho a porta e me deparo com a amarga realidade, sobre o vaso um bilhete: interditado. A dor-de-barriga não deu ouvidos. Comecei a suar frio. Tinha que improvisar. Olhei para a pia de louça branca. A pia olhou para mim... me ajeitei como deu. Um fedor desgraçado, e alguns ruídos tomaram conta do banheiro. Suspirei aliviado. A pia quase cheia. Que merda!, pensei. Abri a torneira. Algumas gotas apenas... a mãe bate à porta e avisa:

- O pedreiro está consertando o banheiro, talvez não tenha água na pia...

Filha-da-puta! Agora que ela me avisa... o pânico toma conta de mim... com as gotas que caíam da torneira e um tufo de papel tento me limpar. A mãe, e a filha, batem à porta.

- Tudo bem?!?

Claro que não, pergunta imbecil. Mas não respondi. A raiva só não era maior do que o constrangimento. Me ajeito na pia, tento me limpar novamente. As mãos tremem e me sujo ainda mais. A situação está ficando fora de controle. Elas batem novamente à porta.

- Você está bem? Quer ajuda?

Se quero ajuda? Claro, uma máquina de teletransporte. Só penso em fugir dali, sem ter que passar pela sala. Olho esparançoso para o basculante. Não cabe, não dá para fugir. Tento o vaso. Não percebo que está solto. Cai e quebra. A água do cano começa a jorrar. Tento futilmente tapar com a mão. Corro até a pia, ainda tento me limpar. Me desequilibro no chão molhado e a pia cai. Merda por todos os lados. Agora são dois canos jorrando. Elas batem mais forte à porta.

- Aconteceu alguma coisa? Você está bem?!?

O desespero aumenta. A água e a merda se misturam no chão. Começa a subir. Molho os pés. Piso em alguma coisa mole... aarrrgh!!! Tento subir a calça, mas o zíper trava na cueca. Era só o que me faltava. Vejo que começa a vasar por debaixo da porta o líquido marrom. Elas gritam do lado de fora.

- Abra a porta!

Desespero. Só penso em fugir dali. Abro e saio correndo nu, empunhando a calça, as mãos sujas de merda e os pés molhados. Um dilúvio me acompanha a caminho da saída.

- Eu sou maluco, eu sou maluco!!!... grito em rota de fuga.


Mudei de escola. Mudei de cidade. Nunca mais a vi. Uff!



PS: aos amigos...


sexta-feira, março 30, 2007

Inspirações


Viva o Zé Simão! Eta cabra bom. Me resolveu vários dilemas existenciais. Vou economizar uma grana com terapia, no dia que começar a fazer. Por enquanto economizo 100%.

E tem aquela piada do português que ao chegar na parada de ônibus vê o seu partindo. Corre atrás, até a próxima parada. Não alcança por pouco. E corre atrás novamente. A ladainha se repete por mais algumas estações até que o gajo chega ao destino. Em casa, muito eufórico pela façanha, conta para a esposa:

- Oh Maria, tu não acreditas no que fiz hoje. Imaginas que corri atrás do autocarro (i.e. ônibus, em dialeto lusitano) de paragem (i.e. parada, ibid) em paragem, até cá chegar. Ora pois, economizei o dinheiro da passagem.

A Maria não perde tempo e arremata:

- Mas Joaquim, tu és muito burro mesmo. Por quê não correste atrás de um taxi? Terias economizado muito mais!

Mas como eu dizia,... a idade vem chegando e os cabelos brancos - é verdade, nem todos caíram ainda - e já estava começando a arredondar a idade pra baixo – um pouquinho só vai, todo mundo faz isto - falar que desconheço Atari, dizer que nunca vi LP de vinil, computador com tela de fósforo verde então nem pensar etc. Agora adotei a do Zé Simão: tenho 18 anos. Mais alguns de experiência.

E tem mais. Tinha um problema mal resolvido com religião também. Levava uma meia hora, gastava um monte de metáforas, falava da história da minha vida, da infância em colégio de freiras, tudo pra dizer que era ateu, pero no mucho. É que embora ateu convicto nunca larguei mão de um sal grosso em casa, um banho de arruda de vez em quando, flores para Iemanjá e roupa branca no ano-novo, e outras vicissitudes. Agora estou resolvido, virei ateu místico. Qualquer dúvida sobre o que Diabos isto quer dizer, é só perguntar pro Zé.

Eu até gostava quando dizia que era agnóstico. Achava chique. Até o dia que um amigo me xingou:

Agsnóstico?!? Porra, mas tu é um vira-casaca mesmo. Eu jurava que você ia morrer flamenguista! Pela memória daquele time de ouro, Adílio, Zico, Andrade, Júnior… era mais da metade da seleção brasileira. Aquilo é que era time. Agora tu me vens com esta história de que virou agnóstico. Deve ser um daqueles times de São Paulo que nunca ninguém ouviu falar antes.

Ainda tentei explicar que focinho de porco não é tomada, mas era tarde, ele desligou o telefone na minha cara. Graças a Deus.

domingo, março 18, 2007

O dragão, a rolha e o Dumbo


- Então brother, conta aí como foi a festa na casa do teu amigo.

- Bom demais... rendeu até altas horas, várias gatas.

- E namorada nova do cara, gata?

- É,... ela é bacana.

- Bacana?!.... sei. Fala aí cara.

- Pô, é que ela tem uma beleza assim, tipo diferente, tá ligado?

- Beleza diferente, tô ligado,... tipo dragão né?!

- É tipo isso aí... meio exótica a beleza da mina.

- Sei, exótica... conta mais aí.

- Primeiro que a mina deve ter o mesmo peso do brother.

- Pô, mas o cara é meio grande, ele não é lutador de jiu-jitsu?

- Pois é, pra você ver... o mesmo peso mas tipo uns dez centímetros a menos. Captou a dimensão do problema?

- Captei, tipo rolha de poço de petróleo...

- Tipo isso aí mermo.

- E a cara da mina? Dá pra escapar?

- É o seguinte, lembra da minha cara de ressaca no primeiro dia de carnaval?

- Brother, feia daquele jeito mermo?!?

- Não, pior. Imagina que com aquela cara feia eu pulasse do décimo andar.

- Que mals hein?

- E pra piorar a onda a mina ainda tava de mini-saia pink, parecia o Dumbo no picadeiro.

- Pô véio, nojenta a parada.

- Pô véio, nojento mermo.


PS: mais um da série,
“ninguém merece”.

terça-feira, março 06, 2007

Marquesitice


Tem época que dá tudo errado, fica uma merda. Mas quando tudo descambar mesmo e começar a chover caralho, procure logo um pequeno e se ajeite... nunca se sabe o que vem por aí... long-john, postinho, pé-de-mesa... convem não vacilar.


Tubarões e aviões



Tempos modernos... quando comecei a viajar mundo afora havia poucas companhias aéreas por aí, e quase todas, embora privadas, eram tidas como representantes de seus países, missões diplomáticas aladas, esquadrilhas aéreas da paz, sempre bem-vindas em bases não-militares d’aquém e d’além-mar. Carregavam não apenas seus cidadãos mas via de regra o próprio nome do país: Swissair, Aerolineas Argentinas, British Airways, Singapore Airlines, KLM Royal Dutch Airlines, só para ficar em algumas mais conhecidas.

Brotaram então as discount airlines para tripudiar o statu quo e desafiar a inteligência dos passageiros. Pois tente alguém me explicar como elas todas conseguem oferecer passagens para qualquer grande cidade européia por alguns Euros – ou um par de chopps em moeda local à taxa de câmbio do dia?!?

Aí lembrei de uma piada antiga de humor negro e resolvi reciclá-la. Aliás, eu que não sou doutor, imagino que reciclagem de piadas deva estar na seleta categoria de crimes contra a humanidade, inafiançáveis.


No aeroporto local as centenas de parentes e amigos se aglomeravam no pequeno balcão. Xingavam, choravam e exigiam informações sobre os passageiros do vôo que caíra no mar infestado de tubarões. Nenhum sobrevivente.

Logo ali perto dos destroços submersos dois tubarões dialogavam: "pensando bem, para uma companhia de segunda, a comida até que estava de primeira."




quinta-feira, setembro 07, 2006

Piada Boa!!!

Com a câmera na mão


Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê.

Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.

Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.

Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro.

As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho.






Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata.

Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando:

- Ah! Doutor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!

Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar.

O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:

- Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora...

Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.

-Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.