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sábado, março 10, 2007

Marquesitice


“Aquela porra fedia testosterona... a catinga de suor de macho tava entranhada no aço... se virgem respirasse aquilo perdia o cabaço...”


Desta forma poética, o nobre fidalgo descrevia sua visita ao submarino brasileiro aportado ali em Lisboa. A seu favor pesavam os Dãos da tarde e os Imperiais da noite.


quarta-feira, março 07, 2007

Marquesitice



Numa mão o Drambuie com gelo, na outra o que restava de um Montecristo. As baforadas se confundiam com os sons daquele pub inglês. Falava de porres, porres ritualísticos. As proparoxítonas sempre chamam a atenção, é fato. Mas os porres que conhecia nesta categoria eram os homéricos, iniguláveis, únicos, catastróficos e mais alguns outros. Era a primeira vez que me expunha a um tal porre ritualístico. Enquanto segurava meu Porto e o meu Montecristo, afinava o ouvido. Ele continuava, entre soluços embriagados:

O negócio é o seguinte, porre ritualístico é aquele estágio da bebedeira quando você faz uma catarse grupal. Manda tirar as crianças de perto. Bota todo no mundo no recinto, tranca a porta e ninguém sai enquanto sobrar algo a ser dito. Certos índios, quando existe alguém atravancando a tribo, criando celeuma, tomam um porre ritualístico e dão um sumiço no cara. No dia seguinte ninguém pergunta nada, uns já nem se lembram e a vida continua.

Fiquei sem saber em que porre me meter. Na dúvida pedi o copo de Drambuie emprestado e o isqueiro da vizinha gorda. Depois de alguns goles a fumaça começava a fazer sentido.



terça-feira, março 06, 2007

Marquesitice

o tal Marquês


Uma outra alma depenada, quer dizer, sem dó mesmo, nem de si, que acompanhou-nos na maratona etílica com o Marquês, foi certeira: pra sair com o Marquês só com caderninho à mão. Como não havia caderninho, nem guardanapo de papel, restaram-me as reminiscências no dia seguinte, além de uma baita ressaca, vôo perdido, arrependimento pelo podrão dividido às 5 da manhã, gosto de charuto na boca, logo eu que não fumo, etc. Êta noitada boa!

O fidalgo tentou se redimir no dia seguinte. Ou talvez pactuar nosso silêncio. Convidou-nos para um passeio à beira-mar em sua BMW nova (menos o retrovisor direito, o qual extraviou-se na noite anterior entre as 2 e 3 da manhã...), chapa diplomática e outros mimos.

O dia foi supimpa. Mas desconfiei que havia algo de errado quando nos convidou para conhecer seu apartamento ali na Lapa. Prédio secular, CD raro do John Coltrane, e varanda com vista para o Tejo e a Basílica. Tudo conforme manda o protocolo.

“Drinks?”, inquiriu.

“O quê tens aí Ó gajo?” retruquei.

“Vocês têm que conhecer o Magnífico. Comprei pro meu chefe mas ainda tem um pouco.”

Não sei não, mas quando alguém te convidar para conhecer o Magnífico na sua alcova, desconfie que de fato algo de podre no reino da Dinamarca.




PS: o Magnífico desceu redondo!

Marquesitice


Tem época que dá tudo errado, fica uma merda. Mas quando tudo descambar mesmo e começar a chover caralho, procure logo um pequeno e se ajeite... nunca se sabe o que vem por aí... long-john, postinho, pé-de-mesa... convem não vacilar.


Marquesitice



Logo ali em Cascais, no Restaurante Porto Santa Maria, ouvíamos o mar verde se desfazendo em espuma contra os rochedos. Fitando o que lhe restava de um Cartuxa Gran Reserva 1997 profetizou: "toda a metafísica do mundo está contida nesta taça."

Marquesitice

Passei um final de semana inusitado na companhia de um nobre fidalgo, natural das terras mais meridionais, ali do sul, extremo sul.... do Piauí. As histórias foram tantas que não resisti a transcrever algumas.

Contou o causo de um oficial de chancelaria em Genebra. O dito aguardava ansioso pelo Embaixador para assinar uns documentos que precisavam chegar ao Itamaraty o mais rápido. Aguardava na ante-sala havia horas pelo fim da reunião que discutia as tarifas na OMC. Num intervalo o Embaixador saiu da sala e o oficial conseguiu lhe enfiar os papéis sob a pluma. Inconformado com a demora pergunta:

- Senhor Embaixador, por quê a demora?

- O assunto é complexo...

- Mas por quê não votam logo este troço depois de tanta discussão?

- Tem que ser por consenso, é difícil....

- Consenso?!? Mas deste jeito esta joça não sai. Vocês estão discutindo isto há quantos dias?

- Veja bem, começou na reunião do GATT de ’47, uns 60 anos atrás....