quinta-feira, abril 26, 2007
sábado, abril 21, 2007
Aldeia Global
Eis que em Saigon um dos restaurantes chiques é uma churrascaria. Serviço cordial, carta de vinhos de bom tamanho e comida boa. O feijão, preto, caldo grosso, pedaços de linguiça defumada boiando. Divino. A picanha, apesar dos esforços, só serviu para me deixar com saudades do Fogo de Chão, que também é For Export.
Os donos, um sueco e uma vietnamita.
PS: não tinha farinha :(....
segunda-feira, abril 16, 2007
Angkor....:) Esplendoroso!
Antiga capital do império Khmer.
Mais de 70 monumentos.
Alguns quilômetros quadrados de extensão.
O templo principal,
Angkor Wat,
o maior templo religioso do mundo.
The heart of darkness

S-21.
Phnon Penh, Cambodia.
Ex-escola, transformada em centro de torturas.
Khmer Rouge, 1975-1978.
Mais de 17.000 (talvez mais de 20.000...) entraram.
SETE sobreviveram.
Cúmplice
Menino de rua. Dividíamos a calçada, a amizade frágil, comentários desconexos e fones de ouvido. Me encantei com seu sorriso e como agia com as outras crianças. Parecia justo e amigo.
O nome era inequívoco: Gate (to/from where?!?...). Não me arrisquei a perguntar a origem. Escrito em Khmer fazia mais sentido.
Me surpreendia com a fluência em inglês deste e dos outros guris. Me contou dos seus 10 anos de vida, dos dois irmãos e duas irmãs. Me garantiu ainda que ia à escola todos os dias, apesar da finalidade obscura. Vivia de vender livros. Às vezes vendia dois por dia, raras vezes mais de três, e às vezes nenhum.
Não comprei os livros piratas que vendia. Além de papo-furado, duas Coca-colas e umas músicas do Led Zeppelin, complementei com um dólar, por via das dúvidas.
PS:Infecção ótica ou cardíaca?.
Pontes

Muito tempo atrás, longe era fora do Plano Piloto. Depois eu descobri as viagens interestaduais e longe passou a ser depois de Salvador. Um dia saí do Brasil e longe virou depois da fronteira, do outro lado da Ponte da Amizade, onde se atravessa a pé.
Continuei atravessando pontes a pé por aí, Brooklyn Bridge em New York, Golden Gate em San Francisco, Le Pont St. Michel em Paris, Charles Bridge em Praga, mais de uma dúzia em Veneza, Harbour Bridge em Sydney, e outras tantas por aí.
Coleciono também um quilo de dessabores e uns cem gramas de inimizades, também atravessados a pé.
Mas ainda, muito tempo atrás, longe mesmo, era na Cochichina. Consegui chegar na Cochinchina, que uma dia já foi Saigon. Mas ainda não atravessei nenhuma ponte.
Obviedades
Um tosco altar, improvisado. Pedras catadas daquele templo antigo sobrepostas. Traços de uma civilização que já foi a maior daquelas bandas. Reminiscências em forma de granito. Duas velas e algum incenso. O gringo deposita umas moedas na caixinha enferrujada. Ao sair vê o menino que estava sentado ali no canto, vigiando o altar, e a caixa. Resolve perguntar antes de sair:
- Que Deus é este?
- O Deus do Dinheiro.
- Nunca ouvi falar... como assim?
- É que um dia tive um sonho, e o Deus do Dinheiro mandou que eu construísse este altar, arranjasse as velas e o incenso, que ele me ajudaria.
- E aí?
- Nada a reclamar, e a cotação baixa do dólar ainda está ajudando.
O gringo partiu sem entender direito.
domingo, abril 15, 2007
A baguette
No cruzamento enxergo aquela moto velha entregando pães. Ao volante um homem igualmente idoso, roupas rotas, um sorriso torto e a ausência de vários dentes.
Dos antigos colonizadores sobraram as muitas cicatrizes, e a baguette dourada enfiada nos sacos plásticos.
Profissão: miséria humana
Naquele mercado de chagas, pústulas, amputações, necroses, pus, cicatrizes de armas químicas, membros decepados por minas, tudo era exposto aos fregueses.
-Quem dá mais?!?, demandava um dos mendigos
PS:Seria um dealer?
sábado, abril 14, 2007
Miséria é vendida em diferentes tamanhos
They were about five or six years-old, hard to tell.
One had a pink dress, the other orange.
Two smiles were shining from their mouths.
The feet, without shoes.
The noses, dripping.
Hands and feet, dirties.
The playground, a dumpster.
They smiled.
The lens closed on them.
5 ou 6 anos talvez, difícil precisar.
Uma de vestido cor-de-rosa, a outra de laranja.
Os sorrisos sobre os lábios.
Os pés descalços,
os narizes escorrendo,
mãos e pés imundos.
O quintal, o lixão.
Sorriam.
Olhavam para a abertura da lente,
que se fechava sobre elas.
Caos
Caos.
Fumaça.
Buzinas.
Motos.
Carros.
Ônibus.
Cães cagando nas ruas.
Cães transando nas ruas.
Ruídos.
Poluição visual.
Poluição sonora.
Poluição.
Fedores.
Cheiros podres.
Cheiros azedos.
Cheiros fétidos.
A cidade fede.
Abaixo o boné.
Ligo o iPod. Lounge. Nu Jazz. Chill out.
Ajeito o óculos-de-sol.
Fecho a armadura.
Vou.
Fui.
Miséria é vendida em diferentes tamanhos
Ele se vira para ela e diz:
É ultrajante abusar do serviço deste pobre homem. O que ele está cobrando para nos levar pedalando, em sua sua tosca carruagem sobre rodas, é uma miséria. Me recuso a compactuar com esta exploração.
Seguiram de taxi, com ar condicionado.
O dono da bicicleta não jantou naquela noite.



