sábado, maio 02, 2009

by Martha Medeiros

Tempo

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada. O tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."

Divã.
 
"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos. 

Tudo perda de tempo. 

Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoraçao ou seu desprezo. 

O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia".

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

sábado, janeiro 31, 2009

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL




em Lhasa, Tibet

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos,  crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.

Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"

Frei Betto

terça-feira, janeiro 06, 2009

terça-feira, dezembro 30, 2008

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Bicho


 
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
 
Quando achava alguma coisa,
Não examinada nem cheirava:
Engolia com voracidade.
 
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
 
O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira 1947

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Berlin


Berlin é fantástica!











segunda-feira, dezembro 15, 2008

O Rei Roberto - Eu te darei o céu...


E ainta tem umas tomadas aéreas lindas do RJ anos 70...





quarta-feira, novembro 26, 2008

Gentileza gera Gentileza....


Bom, quem não é carioca ou não mora no Rio de Janeiro provavelmente não conheceu o Profeta Gentileza (04/1917 - 05/1996) que pregava o entendimento entre os homens pintando grandes painéis nas colunas dos viadutos cariocas: "Gentileza gera gentileza!"

Em 2000, Marisa Monte, entristecida com a destruição dos painéis do Profeta, hoje tombados e restaurados pela Prefeitura do Rio de Janeiro, compôs esta linda canção:

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
A você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta


sexta-feira, novembro 21, 2008

Born into brothels





Fantástico filme!... sim, é possível ver um mundo melhor....


quarta-feira, novembro 12, 2008

"Bush Speechless", ou, a besta solta...




A ausência de palavras fala por si só....








PS: ok, confesso, é montagem.... mas que bem poderia ser verdade, poderia....

quinta-feira, novembro 06, 2008

Arte poética - Ferreira Gular






Não quero morrer não quero
apodrecer no poema
que o cadáver de minhas tardes
não venha feder em tua manhã feliz

e o lume
que tua boca acenda acaso das palavras
- ainda que nascido da morte -

some-se aos outros fogos do dia
aos barulhos da casa e da avenida
no presente veloz

Nada que se pareça
a pássaro empalhado, múmia
de flor
dentro do livro

e o que da noite volte
volte em chamas

ou em chaga

vertiginosamente como o jasmim
que num lampejo só

ilumina a cidade inteira



terça-feira, outubro 28, 2008

Cafe de los Maestros -


Resgatando o Tango, DIVINO!!!

"se quando você escuta um tango bem tocado não sentes um tremelique no peito, dedica-te a outra coisa"... de um dos Maestros do filme





Fados - Carlos Saura



LINDO!!!






Estante Virtual - Sebos

Ótimo site para compra de livros usados... um portal de sebos Brasil a fora... 3B (Bom, Bonito e Barato) :D.... (clique no link abaixo)...


Desconhecido

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Autor desconhecido

sexta-feira, outubro 17, 2008

Aninhas e suas pedras


Não te deixes destruir...

Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre,
sempre.

Remove pedras e planta
roseiras e faz doces.

Recomeça.


Faz de tua vida mesquinha
um poema.

E viverás no coração dos
jovens e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de
todos os sedentos.

Toma a tua parte.


Vem a estas páginas
e não entraves seu uso aos que têm sede.

(Outubro, 1981)
Cora Coralina

Picasso e os mestres, Paris, museu Le Grand Palais



Na minha singela opinião ele é simplesmente o melhor artista plástico de todos os tempos... ninguém conseguiu ser tão brilhante, com tantos expressões distintas... e ele ainda fez Guernica!... se mais pessoas vissem aquilo, talvez tivéssemos menos guerras....


http://www.rmn.fr/Picasso-et-les-maitres

Amores Liquidos

O título do livro do sociólogo polonês Zigmunt Bauman é sugestivo e, sobretudo, apropriado para um sentimento que não se submete docilmente a definições. Professor emérito de sociologia nas Universidades de Varsóvia e de Leeds, na Inglaterra, ele tem vários livros traduzidos para o português, e o tema recorrente em sua obra são os vínculos sociais possíveis no mundo atual, neste tempo que se convencionou denominar de pós-modernidade.

A noção de liquidez, quando se refere às relações humanas, tem um sentido inverso ao empregado nas relações bancárias, a disponibilidade de recursos financeiros. A liquidez de quem tem uma conta polpuda no banco, acessível a partir de um comando eletrônico é capaz de tornar qualquer desejo uma realidade concreta. É um atributo potencializador. O amor líquido, ao contrário, é a sensação de bolsos vazios.

É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.

A área de estudo principal de Bauman é a sociologia, o campo do pensamento que vai ser o ponto de partida e o foco fundamental do retrato sobre a urgência de viver um relacionamento plenamente satisfatório dos cidadãos pós-modernos. Digamos que as dificuldades vividas por um casal refletem o estilo que uma comunidade mais ampla estabelece como padrão aceitável de relacionamento entre seus vizinhos, entre os que habitam um espaço comum. Bauman é realista. Sabe que “nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social”. Portanto, partindo do seu campo específico de estudo, ele faz uma radiografia das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm que estabelecer suas parcerias no mundo globalizado.

Mundo que ele identifica como líquido, em que as relações se estabelecem com extraordinária fluidez, que se movem e escorrem sem muitos obstáculos, marcadas pela ausência de peso, em constante e frenético movimento. Em seus livros anteriores, já traduzidos e disponíveis para o leitor brasileiro, Bauman defende a idéia de que esse processo de liquefação dos laços sociais não é um desvio de rota na história da civilização ocidental, mas uma proposta contida na própria instauração da modernidade. A globalização, palavra onde estão contidos os prós e os contras da vida contemporânea e suas conseqüências políticas e sociais, pode ser um conceito meio difuso, mas ninguém fica imune aos seus efeitos. A rapidez da troca de informações e as respostas imediatas que esse intercâmbio acarreta nas decisões diárias; qualidades e produtos que ficam obsoletos antes do prazo de vencimento; a incerteza radicalizada em todos os campos da interação humana; a falta de padrões reguladores precisos e duradores; são evidências compartilhadas por todos os que estão neste barco do mundo pós-moderno. Se esse é o pano de fundo do momento, ele vai imprimir sua marca em todos as possibilidades da experiência, inclusive nos relacionamentos amorosos. O sociólogo Zygmunt Bauman mostra como o amor também passa a ser vivenciado de uma maneira mais insegura, com dúvidas acrescidas à já irresistível e temerária atração de se unir ao outro. Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação.

O apelo por fazer escolhas que possam num espaço muito curto de tempo serem trocadas por outras mais atualizadas e mais promissoras, não apenas orientam as decisões de compra num mercado abundante de produtos novos, mas também parecem comandar o ritmo da busca por parceiros cada vez mais satisfatórios. A ordem do dia nos motiva a entrar em novos relacionamentos sem fechar as portas para outros que possam eventualmente se insinuar com contornos mais atraentes, o que explica o sucesso do que o autor chama de casais semi-separados. Ou então, mais ou menos casados, o que pode ser praticamente a mesma coisa. Não dividir o mesmo espaço, estabelecer os momentos de convívio que preservem a sensação de liberdade, evitar o tédio e os conflitos da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Insatisfeitos, mas persistentes, homens e mulheres continuam perseguindo a chance de encontrar a parceria ideal, abrindo novos campos de interação. Daí a popularidade dos pontos de encontros virtuais, muitos são mais visitados que os bares para solteiros, locais físicos e concretos, onde o tête à tête, o olho no olho é o início de um possível encontro. Crescem as redes de interatividade mundiais onde a intimidade pode sempre escapar do risco de um comprometimento, porque nada impede o desligar-se. Para desconectar-se basta pressionar uma tecla; sem constrangimentos, sem lamúrias, e sem prejuízos. Num mundo instantâneo, é preciso estar sempre pronto para outra. Não há tempo para o adiamento, para postergar a satisfação do desejo, nem para o seu amadurecimento. É mais prudente uma sucessão de encontros excitantes com momentos doces e leves que não sejam contaminados pelo ardor da paixão, sempre disposta a enveredar por caminhos que aprisionam e ameaçam a prontidão de estar sempre disponível para novas aventuras. Bauman mostra que estamos todos mais propensos às relações descartáveis, a encenar episódios românticos variados, assim como os seriados de televisão e seus personagens com quem se identificam homens e mulheres do mundo inteiro. Seus equívocos amorosos divertem os telespectadores, suas dificuldades e misérias afetivas são acompanhadas com o sorriso de quem sabe que não está sozinho no complicado jogo de esconde-esconde amoroso.

A tecnologia da comunicação proporciona uma quantidade inesgotável de troca de mensagens entre os cidadãos ávidos por relacionar-se. Mas nem sempre os intercâmbios eletrônicos funcionam como um prólogo para conversas mais substanciais, quando os interlocutores estiverem frente a frente. Os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas a distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão.

Zygmunt Bauman explica que hoje “a proximidade não exige mais a contigüidade física; e a contigüidade física não determina mais a proximidade”. Mas ele reconhece que “seria tolo e irresponsável culpar as engenhocas eletrônicas pelo lento, mas constante recuo da proximidade contínua, pessoal, direta, face a face, multifacetada e multiuso”. As relações humanas dispõem hoje de mecanismos tecnológicos e de um consenso capaz de torná-las mais frouxas, menos restritivas. É preciso se ligar, mas é imprescindível cortar a dependência, deve-se amar, porém sem muitas expectativas, pois elas podem rapidamente transformar um bom namoro num sufoco, numa prisão. Um relacionamento intenso pode deixar a vida um inferno, contudo, nunca houve tanta procura em relacionar-se. Bauman vê homens e mulheres presos numa trincheira sem saber como sair dela, e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela. Por isso movimentam-se em várias direções, entram e saem de casos amorosos com a esperança mantida às custas de um esforço considerável, tentando acreditar que o próximo passo será o melhor. A conclusão não pode ser outra: “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”.

Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman, mostra-nos que hoje estamos mais bem aparelhados para disfarçar um medo antigo. A sociedade neoliberal, pós-moderna, líquida, para usar o adjetivo escolhido pelo autor, e perfeitamente ajustado para definir a atualidade, teme o que em qualquer período da trajetória humana sempre foi vivido como uma ameaça: o desejo e o amor por outra pessoa.

O mais recente título do sociólogo polonês, que recebeu os prêmios Amalfi (em 1989, pelo livro Modernidade e Holocausto), e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra), é uma leitura precisa e eloqüente, um convite a uma reflexão aberta não apenas aos estudantes e interessados em trabalhos acadêmicos. O seu texto claro, apesar de fortemente estruturado numa erudição consistente, não deixa de abrir espaço para o leitor comum, interessado em compreender como as estruturas sociais e econômicas dos tempos atuais, tentam dar conta da complexidade do amor que, com a permissão de citá-lo mais uma vez, é “uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável”.

Nota do Editor
Ensaio gentilmente cedido pela autora. Publicado no caderno "Fim de Semana", da Gazeta Mercantil, em 31 de julho de 2004.

Para ir além


Sugestao: GoiasTexas


Zeitgeist - The movie



Sugestao: GoiasTexas

segunda-feira, outubro 13, 2008

Fernando Pessoa

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já tem a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares

É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos"

Fernando Pessoa

sexta-feira, outubro 03, 2008

New York Times - Editorial anti-Bush


Não é  o primeiro, nem o ultimo artigo a detalhar "o pior Presidente dos EUA", ainda mais vindo do NY Times, que assim como vários outros veículos de mídia da terra do Tio Sam, ignoraram o seu dever jornalístico de questionar os fatos, p.ex. quando da invasão do Iraque, atrás das nunca encontradas armas de destruição de massa, mas ainda assim ta ótimo de ler!... pena que também estejamos rindo da nossa própria parcela de desgraça ;(

October 1, 2008, 9:45 PM

The Legacy

Among the many dispiriting things to come out of Bob Woodward’s quartet of books on George W. Bush is his observation that the president has not changed since he first started talking to Woodward in 2001.

No growth. No evolution. No regrets.

“History,” Bush replied, when asked by Woodward how he would be judged over time. “We don’t know. We’ll all be dead.” Broke, as well.

It would have been nice to let Bush’s two terms marinate a while before invoking Herbert Hoover and James Buchanan from the cellar of worst presidents. But then — over the last two weeks — he completed the trilogy of national disasters that will be with us for a generation or more.

George Bush entered the White House as a proponent of a more humble foreign policy and a believer that government should get out of the way at home. He leaves as someone with a trillion-dollar war aimed at making people who’ve hated each other for a thousand years become Rotary Club freedom-lovers, and his own country close to bankruptcy after government did get out of the way.

It’s a Mount Rainier of shame and folly. But before going any further, let’s allow his supporters to have their say.

“He’s going to have an unbelievably great legacy,” said Laura Bush in an ABC interview, citing wars in Iraq and Afghanistan. “Fifty million people liberated from very brutal regimes.”

Fred Barnes argues that Bush is a visionary on a par with Ronald Reagan and Franklin D. Roosevelt. “Bush is a president who leads,” he wrote in a 2006 book. “He controls the national agenda, uses his presidential power to the fullest and then some, prepares far-reaching polices likely to change the way Americans live, reverses other long-standing polices and is the foremost leader in world affairs.”

Finally, from Karl Rove, the Architect. Bush will be viewed “as a far-sighted leader who confronted the key test of the 21st century,” he said.

After wading through books with words like “fiasco,” “hubris” and “denial” in the title, historians will go to first-hand sources, the people who worked with Bush daily. There they will find Paul O’Neill, the president’s former Treasury secretary. In 2002, he sounded an alarm, saying Bush’s rash economic policies could lead to a deficit of $500 billion. This, after Bush had inherited a budget surplus, prompted many to scoff at O’Neill.

He was wrong, but only in one respect – the projected deficit, even without a financial bailout, will almost certainly be higher.

This means a lot, for every bridge not built, every Pell grant not given to a kid who may never go to college without one, every national park road left to crumble, every sick person who cannot afford to see a doctor in a country that wants to be known as the best on earth.

Historians will also go to Scott McClellan, the former White House press secretary. Bush may not be a “high functioning moron,” as Paul Begala called him recently. He is “plenty smart enough to be president,” McClellan wrote this year. But McClellan, in his job as the president’s mouthpiece, found him chronically incurious. He also said Bush deliberately misled the country into war, and in that effort, the news media were “complicit enablers.”

Historians will recall that in each of the major disasters on Bush’s watch, there were ample warnings — from the intelligence briefing that Osama bin Laden was determined to strike a month before the lethal blow, to the projections that Hurricane Katrina could drown a major American city, to the expressed fears that letting Wall Street regulate itself could be catastrophic.

Voluntary regulation. That phrase now joins “heckuva job, Brownie” and “mission accomplished” among those that will always be associated with the Bush presidency.

It’s painful now to realize, just as the economy craters and the world looks aghast at the United States, that the other cancer from the Bush presidency – his failure to even start the nation on the road to a new energy economy – gets short-changed during the triage of his final days.

Bush has hinted that his legacy will be about the war. So be it. He never caught bin Laden, the mass murderer who launched the raison d’etre of the Bush presidency.

But he did topple a paper army in Iraq, opening the drainage for our currency, blood and global reputation. It may go down as the longest, even costliest war in our history.

In a survey of scholars done earlier this year, just two of 109 historians said the Bush presidency would be judged a success. A majority said he would be the worst president ever.

But if you don’t trust those elites in academia, consider the president’s own base.

Bush leaves with his party in tatters. In the 28 states that register by affiliation, Democrats have picked up more than 2 million new voters this year while Republicans have lost 344,000. It seems only fitting that it was the last of the Bush dead-enders in Congress earlier this week who jumped ship when presented with the final horrendous hangover from this man who doesn’t drink.

If ever there was an argument for voting against politicians who are confident about their cluelessness, Bush is it. So it was heartening to see that a majority of the country, in some polls, now views Sarah Palin as unqualified to be president.

We may have learned something, even if Bush has not.



The Story of Stuff - A história das coisas


Vídeo ÓTIMO, sobre como as coisas são feitas, e desfeitas, nos nossos tempos... 



22 minutos...


sexta-feira, setembro 12, 2008

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Os dois mestres num momento de ébria intimidade :)



Um jeito diferente de ver o mundo...


Livro sobre redes sociais e ciberativismo, genial!... e não se assuste com o estilo guerrilheiro do cabra

Apriosionados por promessas




Sinopse
O documentário retrata a situação de trabalhadores do campo aliciados e escravizados em fazendas e carvoarias, e sugere quais são hoje os principais desafios do combate para a erradicação do trabalho escravo no Brasil.



sexta-feira, setembro 05, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

O Encantador de palavras


A poesia está guardada nas palavras - é tudo que

eu sei.

Meu fado é o de não entender quase tudo.

Sobre o nada eu tenho profundidades.


Não cultivo conexões com o real.


Para mim, poderoso não é aquele que descobre ouro,


Poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias:

(do mundo e nossas).

Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.


Fiquei muito emocionado e chorei.


Sou fraco para elogios.


by Manoel de Barros

sexta-feira, abril 25, 2008

Trainspotting

Choose life!


De um dos filmes mais geniais que ja vi.

quinta-feira, abril 03, 2008

Sons


Com o travesseiro junto à boca seus ruídos quase não alcançavam os vizinhos.


Tinha as costas largas, os olhos azuis e um olhar de rara alegria.

Ojos negros



Olhos negros profundos, azulejos alicateados nas paredes do fundo, e um conjunto de vozes, ruídos e dialetos distintos completam o ambiente. Seus cabelos igualmente negros mexiam com o vento. Acho que foi por isso que vim até aqui.

Delic


Delic, deli, declicatessen..... um provedor de diferentes artigos de sabores raros, para os mais distintos paladares, diriam os antropófagos daquela vizinhança.

El tiempo pasa

Y la novia grita:

-- Usted es una bestia!

Yo no contesto, ni protesto... es la edad, la neurosis empeora.

Livre-tradução, busco

Creo que creo,
en lo que creo,
que no creo...


dito espanhol

Pensamentear


Se não fosse pela inspiração a tela do artista continuaria eternamente branca.

quarta-feira, março 19, 2008

Janela






Daqui da minha janela, desde seus olhos azuis com que enxergava o mundo, me contou que a capela da igreja da frente poderia bem ser do Sacre-Coeur, e que aquilo tudo ali embaixo tinha um ar de Montmartre. Sorri e levei-lhe um pouco mais de vinho com meus lábios. Deixei uma gota escorrer e lambi-lhe o pescoço. Sem dizer palavras nos acostamos na cama fria. Por cuidado mantive a janela aberta, e sonhamos juntos com Paris.

Cortazar

El Río, by Julio Cortázar

Y sí, parece que es así, que te has ido diciendo no sé qué cosa, que te ibas a tirar al Sena, algo por el estilo, una de esas frases de plena noche, mezcladas de sábana y boca pastosa, casi siempre en la oscuridad o con algo de mano o de pie rozando el cuerpo del que apenas escucha, porque hace tanto que apenas te escucho cuando dices cosas así, eso viene del otro lado de mis ojos cerrados, del sueño que otra vez me tira hacia abajo. Entonces está bien, qué me importa si te has ido, si te has ahogado o todavía andas por los muelles mirando el agua, y además no es cierto porque estás aquí dormida y respirando entrecortadamente, pero entonces no te has ido cuando te fuiste en algún momento de la noche antes de que yo me perdiera en el sueño, porque te habías ido diciendo alguna cosa, que te ibas a ahogar en el Sena, o sea que has tenido miedo, has renunciado y de golpe estás ahí casi tocándome, y te mueves ondulando como si algo trabajara suavemente en tu sueño, como si de verdad soñaras que has salido y que después de todo llegaste a los muelles y te tiraste al agua. Así una vez más, para dormir después con la cara empapada de un llanto estúpido, hasta las once de la mañana, la hora en que traen el diario con las noticias de los que se han ahogado de veras.

Me das risa, pobre. Tus determinaciones trágicas, esa manera de andar golpeando las puertas como una actriz de tournées de provincia, uno se pregunta si realmente crees en tus amenazas, tus chantajes repugnantes, tus inagotables escenas patéticas untadas de lágrimas y adjetivos y recuentos. Merecerías a alguien más dotado que yo para que te diera la réplica, entonces se vería alzarse a la pareja perfecta, con el hedor exquisito del hombre y la mujer que se destrozan mirándose en los ojos para asegurarse el aplazamiento más precario, para sobrevivir todavía y volver a empezar y perseguir inagotablemente su verdad de terreno baldío y fondo de cacerola. Pero ya ves, escojo el silencio, enciendo un cigarrillo y te escucho hablar, te escucho quejarte (con razón, pero qué puedo hacerle), o lo que es todavía mejor me voy quedando dormido, arrullado casi por tus imprecaciones previsibles, con los ojos entrecerrados mezclo todavía por un rato las primeras ráfagas de los sueños con tus gestos de camisón ridículo bajo la luz de la araña que nos regalaron cuando nos casamos, y creo que al final me duermo y me llevo, te lo confieso casi con amor, la parte más aprovechable de tus movimientos y tus denuncias, el sonido restallante que te deforma los labios lívidos de cólera. Para enriquecer mis propios sueños donde jamás a nadie se le ocurre ahogarse, puedes creerme.

Pero si es así me pregunto qué estás haciendo en esta cama que habías decidido abandonar por la otra más vasta y más huyente. Ahora resulta que duermes, que de cuando en cuando mueves una pierna que va cambiando el dibujo de la sábana, pareces enojada por alguna cosa, no demasiado enojada, es como un cansancio amargo, tus labios esbozan una mueca de desprecio, dejan escapar el aire entrecortadamente, lo recogen a bocanadas breves, y creo que si no estaría tan exasperado por tus falsas amenazas admitiría que eres otra vez hermosa, como si el sueño te devolviera un poco de mi lado donde el deseo es posible y hasta reconciliación o nuevo plazo, algo menos turbio que este amanecer donde empiezan a rodar los primeros carros y los gallos abominablemente desnudan su horrenda servidumbre. No sé, ya ni siquiera tiene sentido preguntar otra vez si en algún momento te habías ido, si eras tú la que golpeó la puerta al salir en el instante mismo en que yo resbalaba al olvido, y a lo mejor es por eso que prefiero tocarte, no porque dude de que estés ahí, probablemente en ningún momento te fuiste del cuarto, quizá un golpe de viento cerró la puerta, soñé que te habías ido mientras tú, creyéndome despierto, me gritabas tu amenaza desde los pies de la cama. No es por eso que te toco, en la penumbra verde del amanecer es casi dulce pasar una mano por ese hombro que se estremece y me rechaza. La sábana te cubre a medias, mis manos empiezan a bajar por el terso dibujo de tu garganta, inclinándome respiro tu aliento que huele a noche y a jarabe, no sé cómo mis brazos te han enlazado, oigo una queja mientras arqueas la cintura negándote, pero los dos conocemos demasiado ese juego para creer en él, es preciso que me abandones la boca que jadea palabras sueltas, de nada sirve que tu cuerpo amodorrado y vencido luche por evadirse, somos a tal punto una misma cosa en ese enredo de ovillo donde la lana blanca y la lana negra luchan como arañas en un bocal. De la sábana que apenas te cubría alcanzo a entrever la ráfaga instantánea que surca el aire para perderse en la sombra y ahora estamos desnudos, el amanecer nos envuelve y reconcilia en una sola materia temblorosa, pero te obstinas en luchar, encogiéndote, lanzando los brazos por sobre mi cabeza, abriendo como en un relámpago los muslos para volver a cerrar sus tenazas monstruosas que quisieran separarme de mí mismo. Tengo que dominarte lentamente (y eso, lo sabes, lo he hecho siempre con una gracia ceremonial), sin hacerte daño voy doblando los juncos de tus brazos, me ciño a tu placer de manos crispadas, de ojos enormemente abiertos, ahora tu ritmo al fin se ahonda en movimientos lentos de muaré, de profundas burbujas ascendiendo hasta mi cara, vagamente acaricio tu pelo derramado en la almohada, en la penumbra verde miro con sorpresa mi mano que chorrea, y antes de resbalar a tu lado sé que acaban de sacarte del agua, demasiado tarde, naturalmente, y que yaces sobre las piedras del muelle rodeada de zapatos y de voces, desnuda boca arriba con tu pelo empapado y tus ojos abiertos.

http://www.geocities.com/juliocortazar_arg/
De Final del juego Cortázar, Julio; Ceremonias, Barcelona, Seix Barral, 1994


Deezer.com

Pra quem quiser escutar música boa...

Anonimato


by Gisli Por

O anonimato é um privilégio de cada um de nós... respeitemo-lo.

domingo, dezembro 09, 2007

Livre-tradução, busco

por Escher


Desenhamos máquinas,
para desenhar computadores,
para desenhar máquinas,
para desenhar computadores,
para não desenharmos mais?!?



Vozes da Seca





O 'Velho Lua', o Rei do Baião




Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do poder
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chover
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem comer
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barragem
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudagem
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiagem
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa coragem

Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mão



Composição: Luiz Gonzaga / Zé Dantas




Extraia o sumo: CD Luiz Gonzaga e Fagner ABC do Sertao 1988





PS: já faz muitos anos que o 'Velho Lua' escreveu isto...

mas parece que foi ontem...

sábado, dezembro 08, 2007

Jardins de Iemanjá




por Julio Kon







E conta que Caminha avisou ao Rei:



"Aqui se plantando tudo dá".



E no mês de fevereiro



Há jardins de flores no mar



São os jangadeiros do Rio Vermelho,



Os jardineiros de Iemanjá





Inspirado em Jorge Drexler

Mestre Marçal









Mestre Marçal, um dos pais do samba. Conta-se que um dia foi ao hospital fazer exames do câncer de pulmão que acabou matando-o. Tirou a dentadura para fazer os exmaes de raio-x, e acabaram perdendo-a. Na saída ele disse para as enfermeiras:


"mas eu não posso sair daqui sem o meu sorriso".





Acharam a dentadura depois, numa caixa de sapatos.


Extraia o sumo: CD Mestre Marçal, TV Cultura Programa Ensaio


Yin Yang




From a successful Chinese man:

Six wonderful attitudes that I learned from Chinese and Western cultures:


Tolerance & Proactivity
Humility & Self-confidence
Empathy & Courage


Food chain, reversed


O rato disse ao gato que avissasse ao cão:

não venhas ter comigo, meu coração frio há de te fazer mal.


O cão retrucou ao gato que fez saber ao rato:


e o meu é quente, há de bastar para nós dois.


Do parador, o gato viu os dois partirem juntos rumo ao infinito.

Peter Drucker





Peter Drucker, one of the most insightful minds in a very long time:



The 21st century will be the century of choices, (… not the century of the internet).




The best way to predict the future is to create it.


Plus Ultra




Passou muito tempo mas descobri que o mundo é de fato redondo. Ainda bem, antigamente devia dar um medo danado viajar longe de casa, atravessar mares que podiam acabar a qualquer instante.

Macchapputre





Macchapputre, the son,

embraced by Annapurna, the mother.
Segundo a crença nepalesa

Once upon a time, at a mountain in Nepal





From Setu, a holyman:


You are very lucky to be here. This is a heavenly place. You should be thankful to be here. Because of your parents and ancestors you are able to be here today. So, be also thankful for them.
* * *
You need to be respectful to women. Treat your wife, your girlfriend, with the same respect as if she was your mother. There is reincarnation. Sometimes mothers return as girlfriends. You never know, so respect them.
* * *
It begins with one man, one heart, and one woman, another heart. Then, they meet, they fall in love, they marry, and two hearts become one. Then a child borns, and it becomes two hearts again. And the cycle of life continues.

* * *
Wise man is good man, but not the best man.

Livre-tradução, busco






Becos escuros.
Chuva fina.
Casa em demolição.
Pistas esburacadas.
Perdido.
Frio.
Com medo.
Nas calçadas, cães dormindo e ratos acordados.

Alma Feminina


By LalliSig


Quanto mais conheço,
menos entendo,
e mais admiro.
Duvido,
Que conhecerei menos,
que entenderei mais,
e que admirarei menos.

Nus







by Lauren Rabbit





Osso expostos.



Vísceras, veias multicolores, órgãos ali abertos de frente aos olhos curiosos.



Tudo devidamente codificado, etiquetado, à vista, organizados em vitrines.



Ali mais à frente uma delas guarda nosso couro, vazio de nós mesmos.



O que sobrou, desnudo de nós mesmos.


sexta-feira, dezembro 07, 2007

Felizes no Nepal




आनंद
anand, felicidade

आनंदी
anandi, feliz
Quiçá um jeito diferente de ser feliz.


Groene ogen


by Tristan Savatier


Old wishes, antique desires.
Green gems.
The background, red veins.
The frame, your eyes.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Fusion cuisine: às vezes dá certo, às vezes não... (1)

Ok, reconheço que já se passaram vários anos desde o dia que minha mãe me mostrou a luz do dia; tarde de sol em Brasília, diga-se.

Volta e meia me encontro falando de coisas do 'meu tempo'. Haja vista que 'meu tempo' continua a ser meu, bem-vivido, creio. Todavia, algumas primaveras já se passaram, admito.

Não obstante anseio pelas vindouras. É como costumo dizer nos meus encontros soteropolitanos de verão: este carnaval foi bom demais! Melhor do que este só o do ano que vem.

Mas como eu dizia... no 'meu tempo' chamava-se de mistureba. Hoje é mais polido falar de fusion cuisine. Mas como já avisava a cultura popular: às vezes dá certo, noutras vezes...

Um dia misturaram farinha, dendê, cebola e castanha-de-caju (suponho que o camarão seco veio depois...), e inventaram o vatapá. O qual, imagino, tenha significado literalmente: "vá tapar a tua fome com estes únicos restos que tenho na cozinha".

Adoro cozinhar peixes com frutas cítricas, e farofa de milharina com maracujá, que são sempre sucesso.Todavia, felizmente, imagino, nunca vi acarajé de brigadeiro, e só de imaginar...

quarta-feira, novembro 28, 2007

Fusion cuisine: às vezes dá certo misturar, noutras vezes… (2)


Ou foi o sol no caminho de volta, ou foi o pepino no caminho de baixo. Fato consumado, é que passado quarenta anos desde aqule fatídico dia o 'Velho' não podia nem olhar para o dito sem ânsia de vômito. E logo ele que gabava-se à mesa de "comer de tudo", ou melhor, quase tudo.

É como eu dizia, às vezes dá certo misturar, noutras vezes…

Para alguém que como ele julgava fatada de bode, ou salmão defumado, iguarias únicas, a pecha do pobre pepino soava grotesca.

Empunhando a curiosidade ímpar e sagacidade que possuem as crianças, lancei ainda cedo o questionamento ao ‘Velho’ sobre o porquê da birra contra aquela inocente leguminosa de sabor tão delicado.

Entre várias caretas ele me contou a paródia. Adolescente, morava no interior da Bahia. Era festa do padroeiro da cidade. Decidiu, junto com os amigos, caminhar até a fazenda do pai, e voltar com alguns cavalos para participar do desfile. Depois de algumas horas de caminhada, debaixo do sol sertanejo que por aquelas bandas alcança, e sobre a areia que consome um pedaço mais cada vez que o pé afunda, uma combinação maldita, frisou, chegaram à fazenda. Para quem tinha a esperança de encontrar a mulher do caseiro, e uma galinha gorda que aplacasse a fome, a visão da casa fechada e vazia foi trágica. Arrombada a porta só encontraram banha, sal, farinha, e o tal do pepino. Enquanto alguns buscavam os cavalos e cuidavam das selas, o ‘Velho’, que já era dado a cozinheiro desde aquele tempo, ficou por ali mesmo misturando no fogão de lenha o pouco que havia. Pronta a gororoba, se puseram ávidos a ingerir aquilo que acalmaria a fome trucidante. E assim foi feito, até o último pedaço.

No caminho de volta ainda podiam contar com o sol sobre a cabeça, mas salvavam-se os pés, ora substituídos pelas patas eqüinas. Quando alcançaram a cidade, ansiosos por um banho, e uma farda bonita para o desfile, despediram-se. E cada um para o seu lado seguiu, com vistas a encontrarem-se mais tarde à frente do desfile.

Bem, este era o plano, sussurrou o velho, enxugando o suor da testa, trazido pela lembrança amarga. Conseguiu chegar em casa ainda a tempo de alcançar o banheiro. Poderia ter sido mais humilhante, imagine só a cena ainda piorada de calças com aquelas manchas inconfundíveis que por vezes juntam-se ali pelas costuras e dobras, grifou ele. Horas, e dias, se seguiram àquele martírio inicial. Epasmos, contrações, dores, suores, tonturas, febres etc, dava quase um compêndio médico a ladainha. Ora por vias gástricas abaixo, ora pelas vias superiores, fato é que quase nada sobrou naquele corpo magro ao fim dos dias de sofrimento.

Com o tempo conseguiu recuperar-se da paúra da farinha, banha e sal. No entanto, a mera menção da palavra ‘pepino’, diga lá a visão de um deles, era suficiente para fazer o estômago dar umas cambalhotas.